Teia da Vida: a Natureza Viva

  • O Exercício da Autoformação Consciente
  • Se perceber em formação, em processo

A Natureza é um elo monumental e natural no diálogo existente entre todos os campos do conhecimento humano. Podemos buscar na nossa memória atávica os elementos que, em sua existência, foram os nossos primeiros mestres: os elementos da Natureza. Viver de novo o diálogo com a montanha, o rio, o canyon, a gruta, o por do sol. Escuta-los. Sentir-se parte e coautor dessa teia da vida, religando assim o homem à natureza.

A partir daí, a nossa certeza de que sentir, vivenciar e resgatar valores, junto e com a natureza, é um bom caminho para uma primeira abordagem numa reflexão do pensamento transdisciplinar e na iniciação da prática do olhar transdisciplinar. Vivenciar que se é filho das águas, do vento, do fogo, irmão dos pássaros – este é um dos meios de reformar paradigmas. O reviver a natureza, o reencontro com seu eu mais primitivo, instintivo, é uma forma de o homem rever os seus condicionamentos e vícios de aprendizagem e raciocínio. Dissolver a ilusão da seperatividade. Sentir, sem conceitualizar, e depois se transformar: exercer a autoformação – praticar a autoformação consciente.

A autoformação é um processo paradoxal que se constitui na interação entre os diferentes polos: si mesmo (auto), os outros (hetero) e o mundo (eco). E o que chamamos de autoformação consciente implica em se perceber, se assumir em meio a um processo, reconhecendo os diferentes níveis de interações: prática, simbólica e epistêmica.

Para tanto é preciso dissolver, quebrar a rigidez cartesiana – deixar de pensar só linearmente. Aprender, desaprender, reaprender – processos constantes na autoformação consciente. Desligar-se de uma visão mecanicista que não mais nos serve como única reflexão sobre o planeta e o universo. É necessário inserirmos novos referenciais em nosso universo reflexivo: a complexidade, os diferentes níveis de realidade, o terceiro incluído. Reformar os antigos paradigmas, adotando novos conceitos ou acrescentando novos aspectos e redefinindo aqueles que já possuímos.

Destacamos também que para a autoformação consciente se faz necessário a internalização do conhecimento – o sentir. Ou, segundo nos aponta Pascal Galvani (2000): “A autoformação seria definida pela interiorização (tomada de consciência, descentração, abstração) dos níveis de interação entre a pessoa e o meio ambiente”.

Para nos sentirmos responsáveis pelo nosso entorno é fundamental que nos sintamos coautores desse entorno. E para nos sabermos coautores – para internalizarmos esse conhecimento – é preciso que vivenciemos valores e conceitos junto à natureza.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *